Artigos

Cafeína no esporte, usar ou não?
Por Dr. Rafael Félix

Cafeína no esporte, usar ou não?

Durante muitos anos, o uso de cafeína no esporte foi restrito ou controlado, podendo ser considerada doping dependendo da dosagem encontrada no sangue. Pesquisas laboratoriais haviam determinado que o atleta teria necessidade de ingerir 10-13 mg de cafeína / kg num período de tempo relativamente curto para atingir este limite de doping. Para uma pessoa de 70 kg isso equivale a ingestão de 700-900 mg ou o equivalente de 7 xícaras de café. Desde 2004 essa substância foi retirada da lista de agentes dopantes.

Estudos que usam estas altas doses de cafeína relataram efeitos negativos sobre o desempenho incluindo, aumento da frequência cardíaca, aumento do lactato sanguíneo, perturbação gastrointestinal, nervosismo, confusão mental, incapacidade de se concentrar e distúrbio do sono em alguns sujeitos, especialmente nos indivíduos que não tinham o hábito de consumir cafeína.

Quando a dose de cafeína foi reduzida para um nível moderado (5-6 mg / kg), os efeitos ergogênicos (desempenho) foram mantidos (duplicação dos níveis de catecolaminas ácido graxos livre e glicerol no sangue) e as respostas fisiológicas e efeitos colaterais também foram bastantes reduzidos. Essa resposta sobre a degradação e utilização da gordura determina um retardo na fadiga por poupar a utilização de carboidrato como substrato energético.

O uso da cafeína em exercícios de alta intensidade sugere benefícios em cerca de 50% dos estudos com base no poder de explosão, contração isométrica e isocinética, força e resistência muscular.

Estudos mostraram benefício nos índices de resistência, força e pico muscular em homens altamente treinados em com a ingestão de cafeína (5-7 mg / kg). Até agora observamos que o fator “divisor de águas” é simplesmente a dose.

Estudos vem sendo realizado e mostrando novas funções e benefícios da cafeína no esporte. Exercer atividade física em um ambiente quente é menos bem tolerado do que num ambiente fresco. Vários estudos mostram que a cafeína pode neutralizar a fadiga do exercício no calor. A literatura relata que 5-6 mg / kg de cafeína demostra melhorar o desempenho de resistência.

As células assassinas naturais (NK) compreendem cerca de 5-20% de todas as células de linfócitos no sangue e representam a primeira linha de defesa contra agentes infecciosos. As capacidades funcionais das células NK diminuem após exercício intenso, e esta diminuição pode explicar por que há uma alta incidência de doenças respiratórias em atletas de elite. As células NK têm A1 e Receptores de adenosina A2, e as diminuições induzidas pelo exercício

Na ativação pode dever-se ao aumento da concentração de adenosina e da epinefrina. Com isto em mente, e o fato de que a cafeína é um antagonista do receptor da adenosina, pesquisadores examinaram o efeito de moderada (6 mg / kg) e doses baixas (2 mg / kg) de cafeína na função das células NK. Ambas as doses de cafeína aumentaram a ativação das células NK 1 h após o exercício. Esta resposta foi independente da dose. Os pesquisadores levantaram a hipótese de que a cafeína tem servido como antagonista dos receptores de adenosina nas células NK, levando a um aumento do estado de ativação após Exercício.

Foi também demonstrado que baixas doses de cafeína (200 mg) melhorar a vigilância, o estado de alerta e o humor durante e após o exercício extenuante. Portanto, os efeitos ergogênicos da cafeína parecem ser variáveis em resposta ao consumo de cafeína e a quantidade suplementada variável. Ajustar a dose de acordo com o objetivo e a individualidade biológica de cada atleta proporcionará o melhor resultado para saúde e performance.

Referências Bibliográficas

1-Davis JK, Green JM. Caffeine and anaerobic performance: ergogenic value and mechanisms of action. Sports Med. 2009;39:813–32.

2- Astorino TA, Robertson DW. Efficacy of acute caffeine ingestion for short-term high intensity exercise performance: a systematic review. J Strength Cond Res. 2010;24:257–65.

3- Jacobson BH, Weber MD, Claypool L. Effect of caffeine on maximal strength and power in elite male athletes. Br J Sports Med. 1992;26:276–80.

4- Gleeson M. Immune function in sport and exercise. J Appl Physiol. 2007;103:693–9.

5- Fletcher DK, Bishop NC. Effect of high and low dose of caffeine on antigen-stimulated activation of human natural killer cells after prolonged exercise. Int J Sport Nutr Exerc Metab. 2011;21:155–65.

Dr. Rafael Félix
Nutricionista CRN 5573
11.12.16

Dr. Rafael Félix Cabral Nutricionista

Especialista em Nutrição Ortomolecular Nutrigenômica e Metabolismo pela FAPES (SP).

Pós graduando em Nutrição Clínica Esportiva pelo Instituto de Pesquisas Ensino e Gestão

em Saúde (IPGS).

Pós graduando em Fitoterapia pela FAPES (SP).

Colaborador da Revista AMBO

Colunista do site Science School

Consultor Técnico e Científico da Probiótica

Atleta de Fisiculturismo pela IFBB

Sócio Proprietário da Clínica Equilíbrium em Salvador -Ba

Profissional com vasta experiência em atletas de alto rendimento.

Como escolher um WHEY PROTEIN?
Como escolher um WHEY PROTEIN?
  • Mar 21, 2017

O Whey Protein é o suplemento mais comercializado no mundo. A escolha do melhor Whey Protein, com a qualidade e as características que seu corpo e seus objetivos exigem, requer atenção a determinadas...

Continue lendo